Quando o Amor Também Vai às Consultas
- Regina Ruivo

- há 3 dias
- 3 min de leitura
Porque lutar contra o cancro é mais leve quando a nossa alma gémea caminha ao nosso lado
Quando o Amor Também Vai às Consultas
Há quem diga que o casamento é partilhar sonhos, viagens, alegrias e projetos. E é verdade. Mas há uma parte do casamento de que quase ninguém fala: as salas de espera.
Sim, essas mesmas. As salas de espera dos hospitais, onde o tempo parece ter outro ritmo e onde aprendemos que o amor também se mede em minutos silenciosos, olhares cúmplices e mãos apertadas.
Quando a palavra cancro entrou na minha vida, entrou também na nossa história de casal. Não pediu licença, não marcou reunião prévia e não trouxe manual de instruções. Mas trouxe uma certeza inesperada: ninguém vence uma batalha destas sozinho.
Quem passa por uma doença oncológica sofre no corpo — a dor, os tratamentos, o cansaço. Sofre na alma — a angústia, os medos e as perguntas sem resposta.
Mas há também alguém que caminha ao nosso lado todos os dias.
Alguém que muitas vezes é invisível para o mundo.
É a pessoa que está na consulta, que espera no corredor, que ouve o médico, que segura a mão, que tenta fazer uma piada quando o ambiente pesa e que, acima de tudo, tem uma missão muito clara: diminuir o nosso sofrimento.
No meu caso, essa pessoa chama-se Luís.
O Luís tornou-se especialista em várias áreas que nunca escolheu estudar: gestão de consultas médicas, logística hospitalar, interpretação de exames e, claro, mestrado avançado em paciência matrimonial.
O amor verdadeiro não nos tira a dor,
mas caminha connosco todos os dias para a tornar mais leve.
Também desenvolveu um talento muito particular: saber quando falar… e quando simplesmente estar.
E isso, às vezes, vale mais do que mil palavras.
Percebi então que o casamento não é apenas um contrato romântico celebrado num dia bonito. O casamento é uma parceria de vida, onde se partilham as gargalhadas… mas também os momentos em que a vida nos pede mais coragem.
É alguém que caminha ao nosso lado sem julgamentos, sem fugir quando as coisas ficam difíceis e sem deixar que percamos o sentido de humor — porque, convenhamos, até nas situações mais sérias há espaço para um sorriso.
Hoje olho para trás e percebo que lutar contra o cancro foi mais leve porque nunca estive sozinha. Tive ao meu lado a minha alma gémea, companheiro de vida, de aventuras e, aparentemente, também de tratamentos.
E se há uma coisa que aprendi com tudo isto é que o amor não se mede apenas em palavras bonitas ou gestos grandiosos.
Mede-se em presença.
Em cuidado.
E na coragem de continuar a caminhar juntos, mesmo quando o caminho não é o que tínhamos planeado.
Porque, no fundo, o amor verdadeiro é isto:
alguém que não nos tira a dor… mas nunca nos deixa enfrentá-la sozinhos.
Porque lutar contra o cancro é mais leve quando a nossa alma gémea caminha ao nosso lado
Dor existe, risos também. E quando a alma gémea caminha ao nosso lado há 25 anos, tudo se torna mais leve — e até engraçado.
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Quando o Amor Também Vai às Consultas,

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Um exemplo de amor verdadeiro ❤️
Lindo! 😍